Promessa
Entendi que não era amado
E sofri.
Chorei todos os cantos amargurados
Do meu peito.
Não entendi
Por que aquilo de ser querido
Era quase um direito,
Direito dado
E tomado.
Mas, no entanto, posso argumentar:
Amor medido a régua não é
Documentado
Na história dos que são livres porque foram amados,
Assim, sem medida,
De graça.
Posso agora recolher as lágrimas
E me banhar na chuva.
Vou sentir o vento,
Lavar as mãos,
Vou me ver humana,
Cuidadosamente reaprender
A andar sozinha,
Em minha companhia.
Devolverei pra mim mesma
Tudo que faltou
E colocarei flores nos cabelos,
Tocarei com carinho meu próprio rosto.
Me colocarei como amada,
Preencher todo vazio,
A cada dia, um ato consciente:
Amor desocupado,
Interessado
Em mim.
E antes que queira chamar de egoísmo,
Lembre-se o quanto desejou
Um coração pra repousar.
Tens o meu
Como promessa.
Aline Tolentino
Promessa
"Promessa é um poema sobre a descoberta do amor-próprio, a cura das ausências e a beleza de se acolher com carinho, tornando-se protagonista da própria história."

Aline Tolentino
março 28, 2025


Jardim dos anjos – Garden of Angels
Em Jardim dos anjos, Aline Tolentino escreve a partir do lugar do desamparo e da entrega. O poema é uma oração íntima, feita sem adornos, onde a fé não surge como certeza, mas como permanência: ficar, aprender, atravessar. Um poema sobre fragilidade, escuta e a esperança que nasce mesmo quando tudo parece profundo demais.

Tudo é sagrado
Um poema sobre a essência da vida e da fé no amor. Em “Tudo é sagrado”, Aline Tolentino nos lembra que tudo o que começa ou termina passa por ele — pela sua presença ou pela sua ausência.
